Ser mãe é padecer no paraíso. Mãe só tem uma. Em coração de mãe, sempre cabe mais um. Mãe é palavra universal, que muitos conhecem, mas poucos explicam. O Dia das Mães vem aí, e para nós da Grão de Gente, celebrar o Dia das Mães é contar um pouquinho da história de cada uma de nós, que sabe muito bem das dores e delícias que essa viagem única e transformadora pode nos causar. Maternidade é aprendizado diário, é exercício de amor e paciência, é resignação. É viver entre a devoção e o desespero, é driblar a dúvida e ter coragem. Ah, para ser mãe é preciso coragem. É preciso desprendimento, é preciso uma sucessão de pausas: pausa na vida social, pausa nas necessidades emocionais e físicas. Pausa no choro para sorrir. Pausa. Respiração. Pausa para contemplar a vida, para observar o tempo, que passa rápido e a gente não vê. Pausa em nossa história para construir a de outro alguém.

A partir de hoje e até o próximo domingo, Dia das Mães, o blog da Grão de Gente abre espaço para histórias que poderiam ser a de qualquer uma de nós. Histórias de mulheres que se transformaram com a maternidade – e como poderia ser diferente? Histórias de coragem, de mudanças. Histórias de quem precisou fazer uma pausa e reinventar a própria história, que já não cabia mais na nova vida, no coração. E através dessas histórias, que possamos também compreender que a reinvenção é inerente à maternidade. Não somos as mesmas, nunca mais seremos. Somos mães. Com orgulho. Com coragem. Com o coração batendo fora do peito, para sempre. Com vocês, histórias de mulheres que um dia se confrontaram com esse amor imensurável, capaz de mudar o rumo de suas histórias. Essas são as histórias de todas nós.
 

Dia das Mães: Carreira e maternidade

O mercado de trabalho é impiedoso com as mulheres. A exigência cada vez maior de disponibilidade integral a uma empresa castiga a maternidade e torna o ambiente quase impossível para quem tem filhos, principalmente se forem pequenos. No Dia das Mães, um dos debates mais apropriados parece mesmo ser o de nossa posição nesse universo. Se desejo trabalhar, preciso mesmo abandonar meus sonhos profissionais em benefício de ter mais qualidade de vida com meus filhos? Muita mães têm conseguido conciliar carreira e maternagem no empreendedorismo.

A presença das mulheres nos negócios é uma realidade comprovada. De acordo com dados do IBGE divulgados pelo estudo “Os Donos de Negócio no Brasil: análise por sexo”, do Sebrae, entre 2003 e 2013, o número de mulheres à frente de negócios cresceu quase 20% passando de 6,3 milhões para 7,3 milhões de mulheres empregadoras em todo o país. Conversamos com algumas mulheres que abandonaram suas carreiras para criar uma nova história, onde cabem filhos, família e realização profissional. Conheça as histórias das empreendedoras Camila, Carla e Adriana.

 

Camila Moreira – Sócia-fundadora da Brincateca

Com uma carreira promissora no mercado financeiro, e totalmente dedicada a seus objetivos profissionais, Camila se tornou mãe. E viu que o que antes a fazia feliz já não lhe parecia tão promissor assim. A história de Camila é a primeira de nossa série especial de Dia das Mães.

“Sempre conheci bem o termo workaholic. Fiz carreira em uma instituição financeira multinacional, uma das maiores do mundo. Como qualquer profissional da área de mercado de capitais, trabalhei muitas madrugadas e finais de semana. Meu celular era meu melhor amigo. Cresci na carreira. E, de forma não planejada, engravidei. Ter um filho sempre foi meu projeto de vida, mas naquele momento era assustador. Quando o Eduardo nasceu, vi que nada mais fazia sentido na minha vida se não fosse para ele e por ele – eu não seria feliz se não presenciasse o primeiro passo, a primeira palavra, o primeiro abraço. Decidi ficar um ano exclusivamente ao lado dele e quando quis voltar ao mercado de trabalho procurei por algo que me permitisse horários regulares. Consegui. Tive mais um filho e quando voltei da licença maternidade perdi o emprego. Coloquei meu plano B em prática: fundar a Brincateca e montar brinquedotecas em espaços frequentados por adultos. Escolho estar com meus filhos. Mas também escolho o almoço com as amigas sem interrupção de criança. Juntei as duas opções e hoje sou muito mais feliz”. 

 

Carla Castilho, diretora da Unius Partners

Em 2005, Carla havia acabado de encerrar as atividades de um negócio que tinha em São Paulo. Nesta época, seus filhos estavam com três e um ano, e a maior dificuldade era poder participar mais das necessidades deles no dia a dia.

Com o passar dos anos, fui integrando meus filhos ao trabalho: conforme era preciso, eles ficavam comigo. Com o tempo, foram aprendendo mais sobre os processos de trabalho e, assim eu também conseguia estar mais próxima, e suprir a necessidade que eles tinham diariamente. Resolvi abrir uma agência em local estratégico, perto de casa, para poder conciliar a função de mãe e empreendedora. Programei métodos mais flexíveis de trabalho, como horários de entrada e saída, reuniões agendadas que casassem com o período de escola das crianças. Atualmente, meu filho mais velho está com 14 anos e já desenvolve algumas atividades na empresa. É maravilhoso, porque posso acompanhar seu dia a dia de perto e ainda prepará-lo para o mercado de trabalho, sem que ele precise estar longe. Hoje posso dizer que me sinto realizada e feliz: consegui construir uma realidade onde acompanho de perto meus negócios e minha família. Tê-los próximos de mim melhora muito meu ambiente de trabalho”.

 

Adriana Auriemo, diretora da Nutty Bavarian

Adriana já era empreendedora junto com seu marido quando o primeiro filho nasceu. Mas as necessidades de se voltar para a família aumentaram muito com a chegada de mais dois herdeiros.

“Com o meu primeiro filho foi mais difícil, pois eu queria ser “super mãe”, sem babá nem empregada. Levava o Bruno pra todos os lugares. Hoje vejo fotos dele com 20 dias em nossa empresa, no carrinho, e me acho uma louca! Tínhamos um berço no escritório e ele ia “trabalhar” com a gente. Meu marido trabalha comigo, então, dividíamos tudo. Tinham dias que ele ficava com o Bruno, e em outros ficava eu. Trabalhei muito de casa também, enquanto ele ainda era pequeno. Quando veio o Marco e a Luísa, contratei uma babá pra me ajudar. Daí eu fazia horários alternativos pra ficar o maior tempo possível com eles. Diminuí bastante a quantidade de viagens, passando esta tarefa pra outras pessoas da equipe. Na hora de escolher a escolinha, optei por uma bem próxima do escritório. Sendo dona do negócio, é bem mais fácil de conciliar os horários. Acredito que se lei trabalhista fosse mais flexível, facilitaria a vida de muitas mulheres. Não acho bom aumentar o tempo licença maternidade, mas seria ótimo se as funcionárias pudessem trabalhar parte do tempo em casa, ainda mais hoje, com tanta tecnologia. Seria bom pra elas, pra empresa e pra crianças”. 

Fonte: Grão de Gente